WSJ compara PCC a dimensão da máfia italiana e eficiência de multinacionais

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WSJ compara PCC a dimensão da máfia italiana e eficiência de multinacionais

O PCC (Primeiro Comando da Capital) tem dimensão comparável à dos grupos criminosos organizados italianos e a eficiência de uma corporação multinacional, segundo publicação de segunda-feira (20) do The Wall Street Journal.


A reportagem destaca como o avanço do PCC tem sido associado a guerras por rotas de tráfico, violência em áreas da Amazônia e disputas em portos europeus, mostrando que sua expansão tem impacto direto sobre a segurança em vários países.


“Do tráfico de armas em Boston aos ataques de piratas na Amazônia, o PCC representa um dos maiores riscos aos esforços internacionais para conter o crime organizado”, classifica o jornal norte-americano.


“Uma gangue brasileira fundada nos violentos presídios do país está se tornando rapidamente uma das maiores organizações criminosas do mundo, remodelando o fluxo global de cocaína da América do Sul para os portos mais movimentados da Europa e se infiltrando nos Estados Unidos”, pontua.


O WSJ destaca que, “com cerca de 40.000 membros atrás das grades e nas ruas”, o PCC tornou-se o maior grupo criminoso das Américas, operando em quase 30 países de todos os continentes, constituindo uma organização verdadeiramente transnacional.




PCC tornou-se o maior grupo criminoso das Américas, operando em quase 30 países de todos os continentes
PCC tornou-se o maior grupo criminoso das Américas, operando em quase 30 países de todos os continentes • Reprodução

“Com a dimensão dos grupos criminosos organizados italianos e a eficiência de uma corporação multinacional, o PCC ajudou a impulsionar apreensões recordes de cocaína na Europa e desencadeou violentas guerras territoriais no coração dos principais portos da Bélgica e da Holanda”, enfatiza o WSJ.


A reportagem vem em meio às discussões sobre a possibilidade de o governo Donald Trump classificar a facção, junto do CV (Comando Vermelho), como organizações terroristas.


Segundo o Wall Street Journal, promotores e policiais do Brasil estão pedindo que Trump classifique o PCC como uma Organização Terrorista Estrangeira. A publicação afirma ainda que estes promotores veem o PCC como a representação do crime organizado em seu “nível mais extremo”.


“Durante muito tempo fora do radar de Washington, o Primeiro Comando da Capital, conhecido pela sigla portuguesa PCC, começou como um grupo de detentos descontentes que lutavam por sabonete e papel higiênico na década de 1990”, relata a reportagem.


“Ao contrário dos narcotraficantes mexicanos, das milícias colombianas fortemente armadas ou dos extravagantes chefões do Comando Vermelho do Rio de Janeiro, os membros do PCC mantêm um perfil discreto e profissional, buscando fortuna e não fama — e evitando os tipos de violência gratuita que atraem a polícia e as equipes de reportagem da TV. Os novos recrutas se submetem a um rigoroso código de conduta interno, e suas cerimônias de juramento às vezes são realizadas por videoconferência”, pontua.


A matéria aponta que o PCC exerce poder em áreas remotas do Brasil, criando uma espécie de “governança paralela”, recrutando jovens vulneráveis e regendo a vida local onde o Estado é fraco.




Além disso, enfatiza como mesmo que o líder histórico do grupo, Marcola, esteja preso, o PCC continuou crescendo, o que sugere que a organização criminosa hoje funcione menos como uma quadrilha dependente de um chefe único e mais como uma estrutura estável e adaptável.


Segundo o texto, a facção também usa uma ampla rede de lavagem de dinheiro, incluindo negócios aparentemente legais e outros de fachada, como igrejas, postos de gasolina, imóveis e fintechs, para ocultar recursos do crime.


No segundo semestre de 2025, a megaoperação Carbono Oculto expôs instituições financeiras – incluindo fintechs e fundos de investimento – do coração da Avenida Faria Lima – um dos principais polos do setor na cidade de São Paulo – que eram peças-chave na engrenagem de lavagem de dinheiro para organizações criminosas, como o PCC.


O enfoque da reportagem aponta para, sobretudo, a maneira “como uma gangue prisional brasileira se tornou uma potência global no tráfico de cocaína”.


O WSJ indica que a rede de tráfico internacional do PCC estaria conectando produtores da América do Sul a rotas e portos de saída que abastecem a Europa e outros mercados pelo mundo.


O diagnóstico da publicação norte-americana é de que o PCC virou uma potência global do narcotráfico, com capacidade de adaptar logística, infiltrar economias locais e desafiar políticas tradicionais de combate ao crime organizado.




















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