Em Minas, Tarcísio critica polarização e elogia gestão de Zema e Simões
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou a polarização política no no Brasil, afirmou que o país tem “muito potencial”, criticou o governo Lula e elogiou a gestão de Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência, em Minas Gerais. As afirmações foram feitas nesta terça-feira (21), durante a cerimônia de recebimento do Grande Colar da Inconfidência, em Ouro Preto.
“É importante ter um mercado competitivo que é o motor para a inovação, com menos impostos, com o Estado menos pesado e mais eficiente. E vejo esse esforço sendo feito em Minas Gerais nas últimas gestões”, disse, acenando também à gestão de Mateus Simões (PSD), que substituiu Zema quando este saiu para disputar a Presidência, à frente do Palácio da Liberdade. “Ambos têm se esforçado muito para resgatar a bússola da responsabilidade fiscal, da liberdade econômica, do respeito a quem produz.”
Zema também teceu elogios ao governador paulista: “Sua chegada ao governo fez uma mudança estrutural, uma política de resultados, de entrega”.
Apesar de ter dito que mantém sua pré-candidatura à Presidência até o fim, Romeu Zema tem demonstrado uma maior aproximação com Flávio Bolsonaro. Como a CNN mostrou, a expectativa nos bastidores é de que o governador mineiro possa eventualmente compor uma chapa como vice do senador.
Flávio também é o candidato à Presidência inicialmente apoiado por Tarcísio. Apesar das divergências sobre qual nome indicar ao Senado, a CNN adiantou que o governador paulista tem agido nos bastidores para garantir o apoio do seu partido, o Republicanos, ao pré-candidato do PL.
Críticas à polarização
Além de estreitar publicamente a relação com Zema, Tarcísio também usou o evento para questionar a polarização política do país.
“Talvez gastemos muita energia com a polarização que nos leva a nada. Talvez tenhamos uma mediatização exacerbada da vida nacional, enquanto (quem está) na liderança parece estar cada vez menos conectado aos anseios reais do povo.Talvez seja a dificuldade de estabelecermos uma visão convergente acerca do país que queremos, que nos permita dar passos consistentes em direção ao futuro”, disse o governador de São Paulo.
O discurso contra a polarização tem ganhado força entre políticos da direita e do centro, à medida que as pesquisas eleitorais mais recentes apontam por ora um provável segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, repetindo a disputa entre petismo e bolsonarismo que marcou as eleições de 2022.
Durante sua fala, Tarcísio aproveitou a cerimônia para criticar indiretamente o governo Lula. Ele afirmou o compromisso com a memória daqueles que “ousaram pensar num Brasil livre antes mesmo que ele existisse” e questionou se os inconfidentes mineiros estariam satisfeitos com o país no dia de hoje.
“Hoje sentimos as mazelas do patrimonialismo que captura o Estado. Estado que vem sendo interpelado pelos interesses daqueles que não se sentem representados pelas decisões majoritárias. Lidamos com a ineficiência na alocação de recursos, com substanciado em um orçamento público deformado, que privilegia a política de paróquia em detrimento dos eixos estruturantes”, disse Tarcísio.
As críticas do governador paulista ao governo federal têm sido frequentes. O Palácio dos Bandeirantes tem se incomodado com a ofensiva publicitária do Palácio do Planalto sobre o protagonismo das obras de infraestrutura entregues no Estado, que conflita com a estratégia de reeleição de Tarcísio. Recentemente, Lula cobrou que Tarcísio reconheça os financiamentos federais em obras em SP e disse que “depois que disser a verdade, [Tarcísio] pode me esculhambar”.



COMENTÁRIOS