Caso Gritzbach: defesa e acusação alegam a mesma postura do outro; veja
O início do julgamento dos três policiais militares acusados pelo homicídio de Antônio Vinícius Gritzbach e do motorista Celso Araujo Sampaio de Novais foi marcado por um intenso embate no Fórum de Guarulhos nesta segunda-feira (22). Tanto a defesa quanto o Ministério Público (MP) utilizaram estratégias de contestação, com ambos os lados alegando que a parte adversária trabalhava para deslegitimar ou interromper o rito judicial.
O clima de hostilidade incluiu ameaças de abandono do plenário e trocas de ofensas pessoais entre os representantes.
O que diz a defesa?
O clima no Fórum de Guarulhos atingiu níveis críticos de hostilidade durante a oitiva do perito criminal Leandro, quando a defesa alegou a existência de uma “jogada” processual articulada entre a testemunha e a acusação.
Cláudio Dalledone Júnior, advogado dos policiais militares, criticou abertamente a conduta da promotoria.
“O Ministério Público está fazendo de tudo para que esse juri não termine, não acabe. E justamente nitidamente, porque as revelações que serão feitas no plenário não socorre a pretensão dele”, afirmou.
O que diz a promotoria?
O promotor Rodrigo Merle Antunes rechaçou as alegações da defesa sobre o comportamento e acusou os defensores de tumultuar a instrução dos trabalhos.
“Na verdade quem tensionou abandonar o plenário para dissolver o julgamento foi a defesa. Aliás, começou a provocar esse promotor de justiça e quem retorquiu, creio eu, a altura fui eu. Mas isso já demonstra que eles pretendem, na verdade, não levar esse julgamento adiante”, disse.
Em resposta às contestações sobre a validade do depoimento do perito criminal Leandro, o promotor defendeu a legitimidade das reuniões entre o Ministério Público e as testemunhas oficiais.
O promotor argumentou que o encontro foi motivado pela necessidade de analisar tecnicamente o parecer assistencial apresentado pelos advogados dos réus, documento este protocolado na fase final do processo, restando poucos dias para o início do julgamento no Fórum de Guarulhos.
“O Ministério Público conversa sim com agentes de segurança pública. Quem conversa com bandidos, quem conversa com bandidos travestidos de policiais, isso a gente deixa pra defesa”, concluiu.



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