Juros altos no Brasil: queda é postergada, mas tese segue válida
A taxa de juros brasileira vive o pior momento dos últimos 20 anos, segundo avaliação do sócio da Encore Asset, João Luiz Braga. Durante entrevista ao programa “Café com Investidor“, Braga afirmou que com a Selic tendo passado por dois cortes e chegado a 14,5%, o cenário que parecia promissor no início do ano sofreu uma reviravolta diante de incertezas geopolíticas e pressões inflacionárias externas.
Otimismo inicial deu lugar à cautela
No começo do ano, a perspectiva de queda significativa dos juros era sustentada por dados macroeconômicos e setoriais que apontavam para uma desaceleração da economia. Com a inflação beirando a margem superior da meta de inflação, o analista avaliava que manter um juro real de 12% para prevenir um futuro surto inflacionário “não faz o menor sentido”. O otimismo, no entanto, foi gradualmente substituído pela cautela.
A mudança de cenário veio com as incertezas geradas por conflitos internacionais, que empurraram os preços do petróleo e dos fertilizantes para cima. Como consequência, a inflação voltou a subir. O INCC, índice que mede a inflação da construção civil, já roda em torno de 10%, e a inflação de alimentos também deve pressionar os índices ao longo do ano, especialmente diante de uma perspectiva menos favorável para o setor do agronegócio.
“Juros altos não resolvem choques externos”
Para o empresário, existe uma distinção importante entre inflação de demanda e choques externos. No cenário atual, manter os juros elevados não seria capaz de resolver os problemas de oferta gerados por tensões geopolíticas, como o fechamento do Estreito de Ormuz. Pelo contrário, a combinação de um choque externo com juros altos pode ser “cruel” com as empresas, que já sofrem com a chamada “destruição de demanda”: consumidores gastando mais com combustíveis e menos com outros bens e serviços.
Nesse contexto, Braga argumenta que o Banco Central brasileiro, por ter como mandato exclusivo o controle da inflação, ao contrário de outros bancos centrais que também respondem por desemprego e crescimento, tende a ser mais conservador. Caso houvesse uma dupla meta, a defesa por uma queda expressiva dos juros seria ainda mais enfática. Ainda assim, a avaliação é de que a tese de redução dos juros permanece válida e será “muito positiva para a Bolsa”, embora tenha sido postergada diante do cenário atual.
Café com Investidor
O programa Café com Investidor é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Ralphe Manzoni Jr. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.



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