Trump lava as mãos e abandona Flávio: ‘não vou me envolver’

Trump lava as mãos e abandona Flávio: ‘não vou me envolver’

midiarondonia.com.br
Trump lava as mãos e abandona Flávio: ‘não vou me envolver’

Numa ducha de água fria para a família Bolsonaro, o presidente Donald Trump se recusou a tecer comentários ou apoiar o anúncio de Flávio Bolsonaro de que ele seria “o verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Numa carta golpista e repleta de mentiras, o senador tentou vender a ideia de que seria o líder brasileiro, traduzindo o documento inclusive ao inglês para sua difusão pelo mundo.


Trump, porém, não parece ter comprado a versão. Eu não vou comentar sobre isso (a carta publicada por Flávio). Nós demos a ele uma autorização para entrar no país, então vamos ver — mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha. Achei que eles foram tratados de forma muito injusta e, como vocês sabem, não tomei partido na eleição. Mas, quando vejo algo que é inadequado, eu comento a respeito.


Desde segunda-feira, Trump vem questionando o processo eleitoral brasileiro. Mas sem cravar qualquer decisão e nem dizer que não reconhece o pleito. O americano chegou a dizer que “gosta” de Lula e que não tomou lados na eleição.


A ordem do presidente Lula aos seus ministros e diplomatas é para ignorar Flávio Bolsonaro, salvo se houver alguma ação coordenada com o governo norte-americano que possa significar uma violação da soberania brasileira.


A esperança de Brasília, agora, é a de criar uma “relação pragmática” com a Casa Branca, mesmo com a fuga de Flávio. O governo considera que a família Bolsonaro já está “entrincheirada” nos EUA e que um pedido de extradição do senador sequer será aceito, como tantos outros casos.


Na segunda-feira, depois que Trump colocou em dúvida o resultado eleitoral no país pela primeira vez, o Palácio do Planalto avaliou se deveria responder oficialmente ou não. A decisão foi a de ficar em silêncio para não alimentar a tese de conspiração. O governo apenas vai responder se Trump insistir em repetir a desinformação de uma suposta fraude. Neste caso, o Brasil indica que irá usar os relatórios do Carter Center e da OEA para desmontar a narrativa da extrema direita. Em ambos os informes, a eleição no Brasil foi amplamente elogiada.


O Palácio do Planalto, ainda assim, admite que o grande desafio para os próximos anos é o de construir uma relação com Trump. Mas a aposta é de que Lula sai fortalecido nas urnas em, ao mesmo tempo, o americano pode ser enfraquecido por derrotas nas eleições Legislativas em novembro. A correlação de forças, assim, seria modificada.


Há ainda uma sinalização que a ala mais ideológica dentro do governo dos EUA, liderada por Marco Rubio, tenha sido enfraquecida com a vitória de Lula e que os grupos que querem trabalhar com o Brasil podem ganhar espaço.


O primeiro passo será retomar a negociação de um acordo comercial, tentando superar meses de crise diplomática. O governo espera que o Escritório de Comércio da Casa Branca (USTR) devolva a ideia da criação de um cronograma para solucionar as tarifas ainda pendentes entre os dois países.


Outro passo será a retomada do processo de autorização para que o embaixador de Trump possa assumir o cargo em Brasília. Mas o Brasil já indicou que vai tratar o nome escolhido pela Casa Branca – Daniel Perez – da mesma forma que a embaixadora do país em Washington, Maria Luiza Viotti, vem recebendo.


O que vai prevalecer é a reciprocidade e o Brasil não pode dar melhor tratamento ao americano que o status de Viotti em Washington.


Nos últimos meses, a diplomata teve seu visto modificado. Se ela sair dos EUA, não pode retornar, sem pedir uma nova autorização.





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