PF: Wagner pediu ingresso até para amiga da neta em show de Taylor Swift
O senador Jaques Wagner (PT-BA) buscou Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, para comprar ingressos do show da cantora norte-americana Taylor Swift.
Além de familiares diretos, o parlamentar buscou beneficiar, inclusive, a amiga de uma neta, bem como a mãe da colega, segundo relatório da Polícia Federal divulgado nesta quinta-feira (30).
“Os ingressos de sabado [sic] procuro com quem?”, perguntou Wagner a Lima, que em seguida liga ao senador, mas sem sucesso.
Após o senador dizer que retornaria a ligação, o ex-banqueiro encaminha três ingressos para o camarote do show da turnê “The Eras Tour” em São Paulo.
Mais tarde, o petista envia um áudio pedindo os outros dois ingressos para a amiga da neta e a mãe. A solicitação foi atendida por Lima.
“Se não for criar problema para você, acabou que minha filha me ligou e disse que teria uma amiga da filha dela com a mãe que queriam ir. Então, se ainda for possível manter os cinco, agradeço. Me dê um toque. Obrigado”, disse o senador no áudio.
No dia seguinte, uma pessoa vinculada à Reag Investimentos – gestora liquidada pelo Banco Central e investigada nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto, que apura a relação entre o setor de combustíveis, o mercado financeiro e o PCC – diz a Lima que foi preparado um “presente para Jaques e seus convidados”.
“Ô Guga, só se mandar para o Hotel Renaissance, da Alameda Santos, pra entregar pra minha filha que tá [sic] hospedada lá, que é que [sic] vai, por sua generosidade, pro [sic] show. […] Aí pode entregar lá, tá? Aí ela desfruta. E se for alguma coisa específica para mim, ela traz, tá certo? Abraço”, respondeu o senador em áudio a Augusto Lima.
No mês de junho, a PF deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve o ex-líder do governo na Casa Alta como alvo.
Segundo a PF, foram identificados elementos que indicam o “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente” por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao Banco.
Além dos ingressos, propina, um imóvel e transporte particular estão entre as benesses oferecidas a Jaques Wagner, segundo a PF.
Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga Lima”, foi CEO do Master e controlador do Banco Pleno, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo BC (Banco Central) em fevereiro deste ano.
O ex-sócio foi preso preventivamente na 1ª fase da operação, realizada em novembro de 2025. Dias depois, foi solto junto de outros investigados com tornozeleira eletrônica, após determinação da desembargadora Solange Salgado.
Augusto foi intimado para prestar esclarecimentos em janeiro, mas o interrogatório foi cancelado após a defesa avisar que ficaria em silêncio caso não tivesse acesso aos autos e todas as provas já colhidas. O empresário havia sido intimado novamente pela PF para depor em maio.
O depoimento de Augusto Lima é tratado como peça-chave nas fraudes do principal inquérito da PF sobre a ligação do Master com as empresas Tirreno, Cartus e BRB.
A CNN Brasil procurou a defesa do senador. O espaço segue aberto para manifestação.



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