Uefa convoca reunião de emergência para debater proposta polêmica da Fifa
Uefa se mobiliza contra plano de Infantino A Uefa convocou uma reunião de emergência com suas 55 associações nacionais para debater uma resposta unificada ao plano do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que visa vender uma participação comercial da Copa do Mundo a investidores, incluindo familiares do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa informação foi divulgada pelo The Guardian, que também aponta que a possibilidade de um boicote a eventos futuros organizados pela Fifa está entre as medidas cogitadas.
A reunião é uma tentativa de coesão da confederação europeia em resposta a um projeto que vem gerando descontentamento entre entidades e clubes de futebol em várias partes do mundo.
Venda de participação comercial na Copa
O plano de Infantino sugere a criação de uma nova empresa, denominada Fifa Forward Enterprise, que administraria os direitos comerciais da Copa do Mundo e outros ativos da entidade.
A proposta prevê a venda de 20% dessa nova empresa para investidores privados, um movimento que exigiria a alteração dos estatutos da Fifa para que fosse implementado.
Infantino argumenta que essa iniciativa trará novas fontes de financiamento para expandir os investimentos no desenvolvimento do futebol global e a descreveu como uma “oportunidade dourada” para o esporte.
Reação das confederações e clubes
A proposta, entretanto, enfrenta crescente resistência. Segundo o The Guardian, a Concacaf, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e várias organizações de clubes europeus expressaram suas críticas ao projeto.
As entidades destacam que o plano foi elaborado sem consultas apropriadas aos principais stakeholders do futebol internacional, levantando questões sobre governança, transparência e o controle de ativos estratégicos pelo capital privado.
A European Football Clubs Organization afirmou que tomou conhecimento da proposta pela imprensa, criticando a falta de diálogo entre a Fifa e as entidades representativas.
Pressão e controvérsias
Outro aspecto questionado é o prazo dado pela Fifa para que as federações se pronunciem a respeito do apoio ao projeto, estipulado até 19 de setembro.
Conforme o The Guardian, dirigentes se mostram preocupados com a pressão que a entidade está exercendo. Ademais, um pagamento de cerca de US$ 20 milhões às federações está sendo interpretado por alguns como uma tentativa de incentivo para obter apoio formal.
Os opositores da proposta afirmam que o modo como o processo está sendo conduzido compromete a transparência e a natureza democrática das decisões na organização.
Incerteza sobre votação
Embora Infantino tenha confiança na aprovação do plano, ainda existem dúvidas acerca do quórum necessário. Parte das federações acredita que uma simples maioria seja suficiente, enquanto outros argumentam que mudanças estatutárias requereriam a aprovação de 75% dos votos.
Essa incerteza intensifica a dúvida sobre o futuro da iniciativa. A Federação Tcheca já sinalizou apoio, mas o consenso na comunidade futebolística ainda parece distante.
Desenvolvimento da governança no futebol
A controvérsia em torno da proposta de Infantino reflete uma disputa mais ampla sobre o futuro da governança no futebol mundial.
Enquanto Infantino defende que a abertura ao capital privado poderá aumentar os investimentos e acelerar o desenvolvimento do esporte, críticos temem que essa comercialização comprometa a autonomia da Fifa e submeta decisões a interesses financeiros.
A resposta coordenada da Uefa e de entidades correlatas poderá não apenas influenciar o resultado da proposta, mas também determinar um dos rumos mais significativos na governança do futebol internacional nas últimas décadas.
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