Penteados de Haaland podem causar queda de cabelo? Entenda
Os penteados bem presos do jogador Erling Haaland, da Seleção Norueguesa, chamaram a atenção daqueles que acompanham o atleta e levantaram um questionamento: rabos de cavalo extremamente apertados podem afetar os fios e resultar em queda de cabelo?
Penteados de Haaland podem afetar os fios?
A dermatologista Dra. Camila Sampaio aponta, em entrevista à CNN Brasil, que o problema dos penteados de Haaland não está no estilo em si, mas na tensão contínua exercida sobre os fios e o couro cabeludo.
“Quando o cabelo é mantido preso de forma muito apertada por longos períodos e de maneira frequente, ocorre um estresse mecânico repetitivo sobre os folículos pilosos. Com o tempo, isso pode desencadear a chamada alopecia por tração, especialmente em pessoas que mantêm esse hábito diariamente”, disse a dermatologista.
O que é a alopecia por tração?
Segundo a Dra. Camila Sampaio, a alopecia por tração é um tipo de queda de cabelo causada pela força mecânica exercida de forma repetitiva sobre os fios. Essa tração constante provoca inflamação ao redor dos folículos pilosos e, se persistir, pode levar ao enfraquecimento progressivo dos cabelos. Em estágios iniciais, o quadro costuma ser reversível, mas, quando a agressão se mantém por muito tempo, pode ocorrer destruição definitiva dos folículos, resultando em cicatrização e perda permanente dos fios.
Quanto à reversão da situação, Camila explica que a queda causada pela tração é reversível na maioria dos casos iniciais.
“Ao eliminar o fator causador e iniciar o tratamento adequado, o cabelo costuma voltar a crescer. No entanto, quando a inflamação crônica provoca fibrose e destruição permanente do folículo piloso, a perda deixa de ser reversível. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental”, apontou.
Os primeiros sinais da condição incluem dor ao prender ou soltar o cabelo, sensibilidade no couro cabeludo, vermelhidão, coceira, descamação e pequenos fios quebrados na linha frontal. Também é comum notar rarefação nas regiões das têmporas e da testa, além de fios mais curtos devido à quebra.
Quando questionada sobre a possibilidade de haver diferenças na condição entre homens e mulheres, a dermatologista afirmou que ela ocorre da mesma forma em ambos os gêneros.
“Historicamente, a condição foi mais descrita em mulheres porque elas costumam utilizar penteados presos com maior frequência. No entanto, homens com cabelos longos ou que mantêm coques, rabos de cavalo ou tranças muito apertados também podem desenvolver alopecia por tração”, ressaltou.
Quais são as diferenças entre a alopecia por tração e a calvície genética?
A principal diferença está na causa. A alopecia por tração ocorre devido a um fator externo, que é a tensão excessiva exercida sobre o cabelo. Já a calvície genética, ou alopecia androgenética, é determinada principalmente por fatores hereditários e hormonais. Na alopecia androgenética, há um afinamento gradual dos fios e redução progressiva do folículo, enquanto, na alopecia por tração, a perda costuma ocorrer exatamente nas áreas submetidas ao maior estresse mecânico.
A Dra. Camila explica que é possível uma pessoa apresentar alopecia por tração e calvície genética ao mesmo tempo, visto que as duas condições podem coexistir.
“As duas condições podem coexistir e, quando isso acontece, uma tende a potencializar a outra. Pessoas geneticamente predispostas à calvície possuem folículos mais vulneráveis, e a tração constante pode acelerar ou agravar a perda capilar nessas regiões”, afirmou.
Assim, pessoas que já possuem predisposição à calvície genética devem evitar penteados muito apertados. Embora o penteado não seja a causa da calvície genética, ele pode acelerar a perda dos fios em pessoas predispostas.
Outros hábitos do dia a dia que também favorecem a quebra ou a queda dos fios
Entre os principais fatores estão o uso frequente de químicas agressivas, o calor excessivo de secadores e chapinhas sem proteção térmica, a escovação muito vigorosa, prender o cabelo molhado, alimentação deficiente em nutrientes essenciais, estresse intenso, distúrbios hormonais e algumas doenças sistêmicas. Além disso, o tabagismo e a privação de sono também podem impactar negativamente a saúde dos fios.
Em relação aos mitos, a Dra. Camila explica que um dos maiores é acreditar que lavar o cabelo causa queda.
“Na verdade, durante a lavagem apenas caem os fios que já estavam no fim do ciclo de crescimento. Outro mito é pensar que cortar o cabelo faz os fios crescerem mais fortes, o que não ocorre, pois o crescimento depende do folículo piloso e não da haste capilar. Também é incorreto afirmar que usar boné provoca calvície. O boné não causa alopecia androgenética, desde que não gere atrito excessivo ou condições inadequadas de higiene”, aponta.
Quando procurar ajuda médica?
É normal perder entre 50 e 100 fios por dia como parte do ciclo natural de renovação capilar. O sinal de alerta surge quando a queda se torna persistente por várias semanas, há redução perceptível do volume dos cabelos, aparecimento de falhas, afinamento progressivo dos fios ou sintomas associados, como dor, coceira e inflamação no couro cabeludo.
Quando a queda persistir por mais de seis a oito semanas, houver aparecimento de falhas, afinamento progressivo dos fios, dor, inflamação, descamação no couro cabeludo ou histórico familiar de calvície, é necessário procurar um especialista.
Os principais tratamentos para a alopecia por tração consistem em eliminar a causa, evitando penteados apertados e reduzindo a tensão sobre os fios. Dependendo do estágio, podem ser indicados medicamentos tópicos, terapias anti-inflamatórias, bioestimuladores, laser de baixa intensidade e procedimentos que favoreçam a recuperação dos folículos.
Já para a calvície genética, o tratamento é individualizado e pode incluir medicamentos tópicos e orais, infiltrações no couro cabeludo, microagulhamento, laser de baixa potência, terapias regenerativas e, em casos selecionados, transplante capilar. Quanto mais precoce o início do tratamento, melhores costumam ser os resultados, pois o objetivo é preservar os folículos antes que sofram perda definitiva.
Penteados para evitar a alopecia por tração
A hairstylist e terapeuta capilar Letícia Figueiredo, em entrevista à CNN Brasil, explica que os penteados que mais costumam causar tração são rabos de cavalo muito apertados, coques muito firmes, tranças muito justas, penteados muito esticados e alongamentos ou mega hair quando colocam peso excessivo na raiz.
Além disso, ela afirma que acessórios que não “mordem” o fio, como elásticos revestidos de tecido, scrunchies e presilhas mais largas, tendem a ser os mais indicados. Quanto melhor o acessório distribui a pressão, menor o risco de quebra e de agressão ao couro cabeludo.
A terapeuta capilar aponta que alternar os penteados ajuda a prevenir a queda causada pela tração.
“Quando a pessoa prende sempre no mesmo lugar e com a mesma tensão, ela força repetidamente as mesmas áreas. Variar a altura, a direção e o tipo de penteado permitem que a raiz tenha períodos de descanso”, indica.
O cuidado vale para todos os tipos de cabelo.
“Cabelos cacheados e crespos normalmente apresentam mais curvaturas e pontos de fragilidade, podendo quebrar com mais facilidade quando há excesso de tração. Já nos cabelos lisos, muitas pessoas acabam apertando demais para que o penteado não desmanche”, aponta a hairstylist.



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