Atlas vê melhora regulatória, mas mantém cautela sobre novos investimentos

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Atlas vê melhora regulatória, mas mantém cautela sobre novos investimentos

Após anunciar que suspendeu os planos de US$ 1 bilhão em novos investimentos no Brasil diante do aumento dos cortes de geração renovável e das incertezas regulatórias do setor elétrico, a Atlas Renewable Energy avalia que o ambiente para novos projetos começa a apresentar sinais de melhora.


A empresa, no entanto, evita falar em retomada de aportes e afirma que uma eventual volta dos investimentos dependerá da consolidação de medidas regulatórias ainda em discussão. Em entrevista à CNN Brasil durante o Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico), o CEO da Atlas no país, Fabio Bortoluzo, afirmou que o Brasil ficou “on hold” para a companhia entre 2025 e 2026, período marcado pelo agravamento do chamado “curtailment”, quando usinas solares e eólicas são obrigadas a reduzir a produção por limitações do sistema elétrico.


A empresa, que tem como investidora a Global Infrastructure Partners (GIP), fundo ligado ao BlackRock, continua analisando oportunidades no mercado brasileiro, mas condiciona qualquer decisão a uma série de definições regulatórias consideradas fundamentais para restaurar a confiança dos investidores.


“Hoje a gente está estudando investimentos em baterias, principalmente, e eventuais novos projetos a depender desse desenrolar regulatório. A gente entende que tem muito potencial no Brasil e olha o país no longo prazo”, afirmou.


Entre elas estão a formalização do “termo de compromisso” que busca solucionar disputas relacionadas aos cortes de geração, as definições da Consulta Pública 45 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o novo marco regulatório para sistemas de armazenamento de energia.


Na avaliação da Atlas, o avanço da regulamentação das baterias foi o sinal mais relevante recebido pelo setor nos últimos meses.


“Esse é o fato mais relevante de todos esses. Esse é o sinal mais positivo que a gente recebeu recentemente no ambiente regulatório e que eu entendo que pode destravar bastante investimento no Brasil”, disse Bortoluzo. “Foi mais importante do que o anúncio do leilão de sistemas de armazenamento para este ano”, acrescenta.


Embora o mercado esteja concentrando atenções no futuro leilão de baterias, o executivo considera que a regulamentação permanente para o armazenamento terá impacto mais profundo por permitir a associação dos equipamentos tanto a usinas existentes quanto a novos empreendimentos.


A Atlas já acumula experiência na área em outros mercados. A companhia desenvolve atualmente projetos de baterias no Chile e considera a tecnologia uma das principais ferramentas para reduzir os efeitos dos cortes de geração e viabilizar novos investimentos em renováveis.


Apesar do maior otimismo, a empresa evita indicar qualquer decisão de investimento no curto prazo. Questionado sobre a possibilidade de o Brasil voltar a receber aportes a partir de 2027, Bortoluzo respondeu que o potencial existe, mas depende do resultado das discussões em curso.


“O mercado brasileiro tem potencial para ter investimentos em 2027 de maneira geral e nós estamos estudando a depender do desenrolar regulatório”, afirmou.




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