Colômbia: Petro diz que Trump intervém ao apoiar De la Espriella em eleição

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Colômbia: Petro diz que Trump intervém ao apoiar De la Espriella em eleição

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou Donald Trump na terça-feira (2) de intervir em seu país ao apoiar o candidato Abelardo de la Espriella para o segundo turno das eleições presidenciais.


“Quando um país intervém nas decisões de outro país, a liberdade morre. Convido toda a Colômbia a votar em plena liberdade e não nos tornarmos escravos nem colônia de ninguém”, escreveu Petro na rede social X.




 


Mais cedo, Trump qualificou De la Espriella como “líder inteligente, forte e determinado” e afirmou que o ultradireitista tem seu “apoio total e irrestrito”.




“Os resultados desta eleição são muito importantes para o futuro da Colômbia e para sua relação com os Estados Unidos”, escreveu o americano, em uma publicação na Truth Social.


De la Espriella conquistou 43,74% dos votos no primeiro turno e uma vantagem de mais de 673 mil votos sobre o candidato governista Iván Cepeda, que obteve 40,9%.


Petro teve uma relação conturbada com Trump durante seu governo. O republicano chegou a ameaçar um ataque à Colômbia, acusando o esquerdista de cumplicidade com o tráfico de drogas para os EUA – o que foi repudiado pelo presidente colombiano.


Já De la Espriella não esconde a admiração pelo republicano. Durante a campanha, ele foi a Miami, onde se reuniu com o subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, e afirmou que “restabelecer plenamente as relações com os EUA é fundamental para o futuro” da Colômbia.


“Com nosso principal aliado temos que combater o narcotráfico e o terrorismo com mão de ferro”, afirmou.


Quem é Abelardo de la Espriella


Em questão de meses, Abelardo de la Espriella passou de um advogado controverso e com grande presença na mídia a candidato à Presidência com chances reais de vitória na Colômbia, graças a uma mensagem clara: impor autoridade.


Ele agora é o rosto de uma direita radical e em constante evolução, que capitalizou a frustração com os partidos tradicionais e conduziu uma campanha de muito espetáculo com uma postura de “outsider”, se posicionando como rival direto do candidato governista de esquerda, Iván Cepeda.


Os dois vão disputar o segundo turno da eleição presidencial no dia 21 de junho.


Ele tem 47 anos, é carismático e gosta de falar firme, apela para o espetáculo e faz declarações categóricas e provocativas. O candidato se apresenta como um empresário de sucesso, amante do que chama de alta cultura e bom gosto.


De la Espriella estruturou seu discurso para conquistar o eleitorado conservador e enfurecer o governo atual. Já moveu processos contra jornalistas, foi acusado de sexismo e afirma ser o maior inimigo do comunismo.


Ele entrou na campanha com a retórica da ultradireita e propostas populistas. Lançou sua campanha presidencial prometendo interromper a continuidade do projeto político do presidente Gustavo Petro, e sua estratégia é a polarização: ele representa um extremo sem restrições para contrapor o outro.


Com seu movimento Defensores da Pátria, seu ímpeto político começou no final de 2025 com o lançamento de sua candidatura, quando as pesquisas começaram a posicioná-lo como a principal voz do voto anti-Petro no país.


A conclusão é que a estratégia de De la Espriella funcionou: apelar para a polarização; para contrapor o candidato de Petro, a alternativa é ele mesmo, o extremo oposto.


Contestação de resultados


Gustavo Petro insistiu, na terça-feira (2), que houve “possível fraude” nas eleições presidenciais realizadas no domingo (31), nas quais o candidato de De La Espriella obteve a maioria dos votos, avançando para o segundo turno.


“Estou apresentando provas comprovadas de possível fraude, que posso entregar à autoridade competente. Já disse que não reconheço os dados da apuração preliminar do software dos irmãos Bautista porque tenho os dados”, afirmou Petro em uma publicação no X, na qual forneceu uma explicação detalhada das alegações.


Segundo a denúncia, houve modificações “no cadastro eleitoral e no número de seções eleitorais”, que supostamente levaram a alterações na contagem dos votos.


“Meu compromisso com meu povo e meu amor pelo meu país, pelo qual lutei a vida inteira, me obrigam a arriscar tudo ao compartilhar isso, e o farei agora”, acrescentou Petro em sua publicação.


Quando os resultados preliminares foram divulgados no domingo, tanto o presidente quanto seu candidato, Iván Cepeda, questionaram a contagem do Registro Nacional, que colocava De la Espriella com 43,74% dos votos e uma vantagem de mais de 673 mil votos sobre Cepeda, que obteve 40,90%.


No entanto, diversas autoridades responsáveis ​​pela fiscalização eleitoral na Colômbia afirmaram que não houve irregularidades.


Eleições na Colômbia: Quem é Abelardo de la Espriella





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