Generais presos por trama golpista apostam em leitura para reduzir penas

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Generais presos por trama golpista apostam em leitura para reduzir penas

Uma rotina de leituras, associadas à elaboração de resenhas escritas de próprio punho. Assim tem sido o dia a dia dos oficiais generais presos por participação na tentativa de golpe de Estado. Em busca da remição da pena, ao menos três deles têm recorrido a projetos de incentivo à leitura para diminuir o tempo na cadeia. Tudo conforme previsto na legislação que trata de execuções penais.




Para cada livro lido e validado por uma comissão, o preso pode ter quatro dias a menos na pena, limitando-se a 48 dias por ano. Todos os trabalhos entregues recebem uma nota que vai de zero a dez. Para “ser aprovado” é necessário alcançar o mínimo de seis pontos.


São avaliados itens como “descrição da obra”, “síntese do conteúdo”, “avaliação crítica” e “uso da língua portuguesa”. O conteúdo dos livros varia de acordo com o local em que a pessoa está presa. O general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, por exemplo, que cumpre pena no Comando Militar do Planalto, está lendo “Vidas Secas” – romance de Graciliano Ramos.


Em resumo, a obra descreve os momentos de uma família de retirantes que atravessam o sertão nordestino. Todos estão fugindo da miséria e da seca e em busca de uma vida melhor. Paulo Sérgio é natural do Ceará. No mês passado, ele dedicou o tempo à leitura de um livro sobre guerra: “Reminiscências da Campanha do Paraguai”.


Já o general Walter Braga Netto, preso na Vila Militar do Rio de Janeiro, tem dedicado o tempo à leitura de obras religiosas. Além da bíblia, o oficial tem em mãos o livro “Uma Vida Com Propósitos – Por Que Estou na Terra?”, de Rick Warren. Foi um presente recebido do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).


Mas não é só isso que tem o instigado a ler. Braga Netto também está lendo o livro The Generals – American Military Command from World War II to Today (Os generais: o comando militar americano da Segunda Guerra Mundial até hoje), do jornalista Thomas E. Ricks.


A remição é uma forma de estudo, focada na ressocialização, não havendo restrição quanto à origem da obra ou idioma, desde que seja literária, técnica ou científica. O mais importante é que o preso compreenda o que está lendo.


O almirante Almir Garnier, que comandou a Marinha durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), apresenta inclinação para a literatura cristã, com foco em temas de superação e espiritualidade. Livros como “Decepcionado com Deus”, de Philip Yancey, e “Um novo dia com o Espírito Santo”, de Hadman Daniel Silva, fazem parte da lista de obras selecionadas para sua remição.


Em uma de suas resenhas, sobre o livro “O Agir Invisível de Deus”, de Luciano Subirá, o almirante menciona a fé e a necessidade de crer que Deus vai ajudar a vencer as “maiores batalhas a frente”.


Na resenha do livro “A Bordo do Contratorpedeiro Barbacena”, de autoria do almirante João Carlos Caminha, ele obteve nota 9,9. A obra trata da Batalha do Atlântico e dos sacrifícios de marinheiros brasileiros na Segunda Guerra Mundial, tema que o ex-comandante domina.




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