Escândalo no SINPOL-RO: vice-presidente denuncia contratos de R$ 100 mil mensais e cobra prestação de contas

Naassom Luna, também identificado como Naasson de Campos Luna, aponta supostas falhas na transparência da gestão do Sindicato dos Policiais Civis de Rondônia e afirma que a entidade arrecada mais de R$ 400 mil por mês, além de repasses da Unimed
Porto Velho, RO - O vice-presidente do SINPOL-RO denuncia contratos de alto valor, afirma que decisões não foram compartilhadas com o colegiado de diretores e cobra esclarecimentos sobre a destinação dos recursos dos filiados.
O Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Rondônia (SINPOL-RO) enfrenta questionamentos internos sobre a contratação de serviços jurídicos e terceirizados, os valores dos contratos e a transparência na administração dos recursos da entidade. Em um pronunciamento dirigido aos filiados, o vice-presidente Naassom Luna, também identificado como Naasson de Campos Luna, afirmou que existem contratos com valores elevados e cobrou explicações sobre a destinação do dinheiro arrecadado pelo sindicato.
No relato, o dirigente afirma que a entidade recebe mais de R$ 400 mil por mês em contribuições, sem considerar os repasses relacionados à Unimed. Ele também menciona contratos que, segundo sua declaração, somariam R$ 100 mil mensais e questiona por que essas despesas não teriam sido devidamente apresentadas aos demais integrantes da diretoria.
As declarações levantam dúvidas sobre os procedimentos internos de contratação e prestação de contas do SINPOL-RO. Até que os documentos sejam analisados e os envolvidos se manifestem, porém, as acusações devem ser tratadas como alegações do dirigente, e não como irregularidades comprovadas.
Vice-presidente questiona contratos e decisões da diretoria
Durante o pronunciamento, Naassom Luna afirmou que, desde que chegou à direção do sindicato, identificou contratos firmados com advogados e prestadores de serviços terceirizados cujos valores considera elevados.
Segundo ele, os acordos teriam contado com a anuência do presidente Odair Ozame e do diretor jurídico, sem que os demais integrantes do colégio de diretores fossem previamente informados ou consultados.
O vice-presidente também declarou que alguns contratos teriam sido assinados antes mesmo da posse da atual diretoria. Ele questiona a ausência de informações compartilhadas com os demais dirigentes e afirma que, conforme sua interpretação do estatuto da entidade, os contratos relacionados à área jurídica deveriam ser apresentados ao colegiado de diretores.
A eventual existência de descumprimento estatutário depende da análise do documento, das competências atribuídas a cada cargo e dos procedimentos efetivamente adotados nas contratações.
Arrecadação superior a R$ 400 mil é alvo de questionamentos
Um dos principais pontos levantados por Naassom Luna diz respeito ao volume de recursos que, segundo ele, entra mensalmente nos cofres do sindicato.
O dirigente declarou que a arrecadação ultrapassa R$ 400 mil por mês, sem incluir os repasses relacionados à Unimed. Diante desse valor, ele questiona a destinação dos recursos e cobra acesso às informações financeiras da entidade.
“Para onde vai esse dinheiro?”, questionou o vice-presidente durante o pronunciamento, ao afirmar que não recebeu os esclarecimentos que considera necessários para acompanhar a administração financeira do sindicato.
Ele também declarou que nunca viu uma prestação de contas que considerasse suficiente e disse que as informações obtidas sobre a arrecadação foram repassadas pelo tesoureiro, a quem atribuiu colaboração no fornecimento dos dados solicitados.
Os valores mencionados ainda precisam ser confrontados com balancetes, demonstrativos de receitas e despesas, contratos, comprovantes de pagamento e eventuais prestações de contas aprovadas pelos órgãos internos da entidade.
Contratos de R$ 100 mil mensais preocupam dirigente
Naassom Luna afirmou que contratos celebrados durante a atual gestão teriam atingido R$ 100 mil mensais. Na avaliação apresentada por ele, as despesas com essas contratações comprometeriam o efeito dos aumentos na arrecadação do sindicato.
O dirigente também declarou que não teria sido informado previamente sobre os acordos e que outros integrantes da diretoria não teriam participado das decisões.
O pronunciamento, entretanto, não apresenta, no trecho reproduzido, a discriminação completa dos contratos, os nomes de todos os prestadores de serviços, os objetos contratados, os prazos de vigência ou os valores individualizados de cada acordo.
Esses dados são necessários para esclarecer se os R$ 100 mil mensais correspondem à soma de diferentes contratos, quais serviços estão incluídos e se as despesas seguem as regras internas e as decisões administrativas da entidade.
Vice-presidente pede fiscalização do patrimônio do SINPOL-RO
Durante a manifestação, o dirigente convocou os policiais civis filiados a comparecerem à sede do sindicato e cobrarem informações sobre a administração financeira.
Segundo ele, os associados devem acompanhar a movimentação dos recursos e exigir esclarecimentos sobre os contratos e as despesas da entidade.
Naassom Luna afirmou que pretende fiscalizar o patrimônio sindical e negou ter pretensões políticas, sustentando que sua atuação tem como objetivo cumprir o mandato e representar os interesses dos policiais civis.
O vice-presidente também alertou para o risco de prejuízos ao patrimônio da instituição caso, segundo sua avaliação, não haja fiscalização suficiente. Essa possibilidade foi apresentada como uma preocupação do dirigente, sem que o pronunciamento, por si só, comprove dilapidação patrimonial ou dano financeiro.
Diretoria do SINPOL-RO tomou posse em abril de 2026
A atual direção do Sindicato dos Policiais Civis de Rondônia foi eleita pela Chapa 2, denominada “Unidade e Força”, liderada pelo presidente Odair Ozame, e tomou posse em abril de 2026, em Porto Velho.
A gestão assumiu com pautas relacionadas à valorização da carreira policial, à melhoria das condições de trabalho e à recomposição do efetivo da Polícia Civil no estado.
As divergências relatadas pelo vice-presidente colocam em evidência a importância da transparência administrativa, da comunicação entre os integrantes da diretoria e da prestação de contas aos filiados que contribuem para a manutenção da entidade.
O que precisa ser esclarecido
Para que os questionamentos sejam devidamente apurados, é necessário esclarecer:
Quais contratos foram assinados antes e depois da posse da atual diretoria.
Quais são os valores individuais e os objetos dos contratos com advogados e empresas terceirizadas.
Se os acordos foram submetidos aos procedimentos previstos no estatuto do SINPOL-RO.
Qual é a arrecadação mensal efetiva da entidade e quais são suas principais despesas.
Se existem balancetes e prestações de contas disponíveis aos filiados.
Qual é a posição do presidente Odair Ozame e do diretor jurídico sobre as declarações do vice-presidente.
A documentação mencionada pelo dirigente, incluindo os contratos que ele afirma ter anexado ao comunicado, é fundamental para verificar os valores e os procedimentos questionados.
Até a publicação desta matéria, o material apresentado para a elaboração do texto não contém manifestação do presidente Odair Ozame nem do diretor jurídico sobre as acusações. Também não foram apresentados documentos contábeis suficientes para confirmar, de forma independente, os valores de arrecadação e das despesas citadas.
O espaço permanece aberto para que a presidência do SINPOL-RO, o diretor jurídico e os demais envolvidos apresentem esclarecimentos sobre os contratos, os procedimentos adotados e a prestação de contas aos filiados.



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