Vida subaquática é ameaçada à medida que guerra com o Irã se prolonga

cnnbrasil.com.br
Vida subaquática é ameaçada à medida que guerra com o Irã se prolonga

Não muito longe dos navios presos no Golfo Pérsico, encontra-se uma maravilha ecológica. O disputado Estreito de Ormuz abriga golfinhos e a população de corais mais diversificada da região, um mundo subaquático que, segundo cientistas, pode estar em perigo devido aos conflitos que o cercam.


Apesar de o Irã ter anunciado a reabertura do estreito durante um cessar-fogo temporáriocerca de 2.000 embarcações permaneciam retidas no Golfo Pérsico na manhã de sexta-feira (17), transportando um total de aproximadamente 21 bilhões de litros de petróleo. Houve pelo menos 16 ataques a navios no Golfo Pérsico e perto do Estreito de Ormuz desde o início da guerra.


Nina Noelle, porta-voz do Greenpeace, uma rede global independente de campanhas focada em questões ambientais, disse à CNN que, por meio de monitoramento contínuo, os pesquisadores do grupo “detectam regularmente manchas de óleo na região”, incluindo uma ligada ao navio iraniano Shahid Bagheri, que foi atingido por um avião de guerra americano no início de março.




Segundo a organização, a embarcação ainda está vazando óleo “perto do Estreito de Khuran e representa um risco potencial para as áreas úmidas protegidas próximas”. O Estreito de Khuran é uma passagem mais estreita que fica ao norte do Estreito de Ormuz.


A posição geográfica do Estreito de Ormuz o torna um local crucial não apenas politicamente, mas também ecologicamente — ele se situa em uma zona de transição entre o Golfo de Omã, profundo e frio, e o Golfo Pérsico, raso e quente. Correntes vindas do Golfo de Omã transportam nutrientes e larvas que alimentam a proliferação de plâncton e os recifes de coral, enquanto ressurgências mais profundas atraem peixes de recife e tubarões-baleia migratórios que passam por ali sazonalmente.


Em tempos mais pacíficos, o mergulho e a observação de golfinhos na província de Musandam, uma região de Omã que faz fronteira com o estreito, eram grandes atrativos turísticos. O estreito serve de área de desova para tartarugas marinhas, e a costa de Omã abriga as baleias-jubarte-arábicas, espécie criticamente ameaçada de extinção e não migratória, além de dugongos e serpentes marinhas nas águas circundantes.


Com o prolongamento do conflito, os cientistas estão cada vez mais preocupados com o impacto dos derrames de petróleo nos animais da região.


“Muitos dos compostos encontrados no petróleo bruto afetam a função cardíaca e a respiração”, disse Martin Grosell, professor e chefe do departamento de biologia marinha e ecologia da Escola Rosenstiel de Ciências Marinhas, Atmosféricas e da Terra da Universidade de Miami. “A exposição prolongada ao petróleo leva a uma sobrecarga da resposta ao estresse, o que suprime a função imunológica, tornando os animais mais suscetíveis a infecções e outros tipos de agressões ambientais.”


O petróleo bruto também afeta o sistema nervoso dos animais, acrescentou Grosell, prejudicando seus sentidos e sua capacidade de navegar, processar informações e se orientar adequadamente no ambiente. Isso afeta a forma como eles reagem a predadores e encontram presas, o que significa que os danos a animais individuais podem se propagar por todo o ecossistema.


Veja animais com características únicas na natureza




Que animais vivem no estreito?


O Estreito de Ormuz, uma passagem estreita entre o Irã, ao norte, e Omã e os Emirados Árabes Unidos, ao sul, situa-se na entrada do Golfo Pérsico. Aaron Bartholomew, professor de biologia da Universidade Americana de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, que realizou pesquisas de campo em toda a região, descreve o estreito como a coroa ecológica do Golfo.


“O Estreito de Ormuz é conhecido por ter a maior diversidade e uma das maiores coberturas de coral de todo o Golfo”, disse Bartholomew. As maiores concentrações encontram-se no lado iraniano do estreito, bem como em partes da costa sul do Golfo. Os recifes de coral da região foram fortemente impactados por eventos de branqueamento ligados ao aumento da temperatura dos oceanos, mas resistiram, ao contrário dos corais em outros locais.


Bartholomew explicou que as condições do Golfo levam a vida marinha aos seus limites fisiológicos. “Temos temperaturas muito, muito altas durante o verão e temperaturas surpreendentemente baixas no inverno”, disse ele. “Também temos salinidade elevada devido a toda a evaporação do Golfo”, acrescentou, referindo-se às altas concentrações de sais dissolvidos na água que normalmente causam danos ecológicos.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.