EUA voltam atrás e dizem que empreiteira causou danos a espelho d’água

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EUA voltam atrás e dizem que empreiteira causou danos a espelho d’água

Um trabalho mal executado por uma empreiteira fez com que o revestimento do espelho d’água do Lincoln Memorial se soltasse, informou o governo do presidente americano Donald Trump em uma petição judicial nesta sexta-feira (31).


Na petição, o Departamento de Justiça solicitou a desistência da ação contra David “Davey” Hearn, de 67 anos, ex-atleta olímpico dos EUA que havia sido acusado de vandalizar a piscina.


Os problemas na piscina haviam se tornado um ponto de tensão em meio aos esforços de Trump para remodelar Washington.




O Departamento do Interior dos EUA forneceu documentos “indicando que os danos à Piscina Espelhada do Memorial Lincoln em junho de 2026 foram resultado de uma instalação defeituosa realizada pela empreiteira Atlantic Industrial Coatings e da pressa em concluir o projeto antes dos eventos associados à celebração ‘America 250’, nas semanas em torno do Dia da Independência de 2026”, afirmou o Departamento de Justiça no documento.


Entenda a polêmica


O espelho d’água do Lincoln Memorial, um dos monumentos mais conhecidos de Washington, virou alvo de uma disputa política e judicial após apresentar problemas poucas semanas depois de uma reforma de quase US$ 15 milhões promovida durante o governo do presidente dos EUA, Donald Trump.


O assunto ganhou força após Trump afirmar que o local foi alvo de vandalismo e defender punições severas aos responsáveis, enquanto críticos apontam possíveis falhas na própria obra de revitalização.


O que aconteceu?


O espelho d’água foi reaberto no início de junho após uma reforma avaliada em US$ 14,7 milhões. Poucas semanas depois, surgiram problemas como proliferação de algas e o desprendimento de uma camada azul instalada no fundo da piscina.


Durante o fim de semana, diversas pessoas observaram ou tocar o material que estava se soltando. Segundo o Departamento do Interior, cinco pessoas foram presas por vandalismo, outras cinco receberam notificações federais e 14 boletins de ocorrência foram registrados.


Entre os detidos está o ex-canoísta olímpico americano David Hearn. Ele afirmou à CNN que apenas tocou em um pedaço do revestimento que já havia se desprendido e negou qualquer ato de vandalismo.


O que disse Trump?


Trump afirmou que o espelho d’água foi deliberadamente vandalizado.


Em publicação na rede Truth Social, o presidente lembrou que a destruição de patrimônio federal pode resultar em penas de até 10 anos de prisão.


Posteriormente, em conversa com jornalistas no Salão Oval, ele afirmou que o revestimento da piscina apresentava um corte de cerca de 90 metros, número que depois elevou para mais de 100 metros.


Segundo Trump, o dano teria sido causado por alguém usando uma faca ou estilete.


“Foi cortado de forma muito violenta”, declarou o presidente, acrescentando que imagens do suposto dano seriam divulgadas “no momento certo”.


Pressionado sobre se tinha provas disso, Trump disse: “Vamos colocar desta forma: quando você tem um, acho que são mais de 100 metros, um corte de mais de 100 metros de uma ponta à outra, você acha que isso é prova?”.


Trump também sugeriu, sem apresentar comprovações, que alguém poderia ter colocado substâncias na água para provocar a proliferação de algas.


Quais acusações poderiam ser aplicadas?


Até o momento, as infrações registradas envolvem acusações menores relacionadas a vandalismo, conduta desordeira e danos à propriedade pública.


No entanto, Trump defendeu a aplicação de acusações mais graves.


A procuradora federal para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, afirmou que os casos serão analisados e que acusações mais severas podem ser consideradas caso sejam encontradas evidências de danos intencionais mais significativos.


Nos Estados Unidos, a destruição de propriedade federal pode ser enquadrada como crime federal quando provoca prejuízos relevantes, com penas que podem chegar a 10 anos de prisão e multas de até US$ 250 mil.


Por que o caso virou disputa política?


O episódio se transformou em mais um tema de confronto entre aliados e críticos de Trump.


Apoiadores do presidente afirmam que o suposto vandalismo demonstra uma tentativa de sabotar projetos de revitalização apoiados pela Casa Branca.


Já opositores argumentam que os problemas decorrem da própria execução da obra e criticam Trump por concentrar atenção no espelho d’água enquanto os Estados Unidos enfrentam desafios relacionados à guerra envolvendo o Irã e à alta dos preços de combustíveis e alimentos.


Além disso, grupos ambientalistas e organizações que questionam judicialmente a reforma afirmam que o surgimento de algas e o descascamento do revestimento reforçam suspeitas de que o projeto foi executado de forma acelerada para cumprir prazos políticos.


Críticos também apontam uma aparente contradição entre a posição atual de Trump sobre danos ao patrimônio público e a decisão de conceder indulto a mais de mil participantes dos atos de 6 de janeiro de 2021, incluindo pessoas condenadas por vandalizar o Capitólio dos Estados Unidos.


A comparação tem sido usada por opositores para questionar a defesa de punições severas no caso do espelho d’água.




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