Café dispara em Nova York e avança 16% em forte movimento técnico

cnnbrasil.com.br
Café dispara em Nova York e avança 16% em forte movimento técnico

Os contratos futuros do café arábica registraram uma forte valorização nesta segunda-feira (06) na Bolsa de Nova York, em um movimento que chamou a atenção dos participantes do mercado. O contrato com vencimento em setembro avançou 16,19%, encerrando o pregão cotado a US$ 3,04 por libra-peso.


Segundo Leonardo Rossetti, analista de inteligência de mercado da StoneX, a forte alta do café nesta sessão refletiu uma combinação de fundamentos e fatores técnicos.


“O mercado já vinha encontrando suporte no aperto da oferta física, com a colheita atrasada no Brasil por conta das chuvas, preocupações com a qualidade do café arábica e queda dos estoques certificados. Além disso, o produtor está mais capitalizado e segurando vendas, o que reduz ainda mais a liquidez no curto prazo”, afirma.


Rossetti destaca ainda que o movimento desta segunda-feira ganhou força com fatores adicionais.


“O retorno das preocupações climáticas, especialmente ligadas ao El Niño, serviu como gatilho para o mercado. Mas a intensidade da alta também tem um componente técnico relevante, com fundos especulativos recomprando posições vendidas e acionando ordens de stop loss, o que acabou ampliando o movimento de forma expressiva”, completa o analista da StoneX.


Para o diretor da NRP Agro, Vicente Zotti, a alta não encontra respaldo nos fundamentos do mercado. “Esse movimento foi o maior já registrado em um único candle intradiário dos contratos futuros de café. Não existe, pelo lado da oferta, demanda ou estoques, qualquer fator que justifique uma alta dessa magnitude”, informou.


Segundo o analista, não houve eventos climáticos extremos, como geadas ou quebras expressivas de safra, que expliquem a disparada das cotações.


“Não aconteceu uma geada como a de 1974, 1994 ou 2021, nem uma quebra de safra por seca. Não há nenhuma alteração nos fundamentos que justifique uma valorização dessa proporção.”


Zotti avalia que a movimentação pode estar relacionada a problemas de liquidez no mercado financeiro, com participantes sendo forçados a encerrar posições vendidas.


De acordo com a Barchart, além desse movimento financeiro, o mercado também segue acompanhando o ritmo da colheita brasileira. A consultoria Safras & Mercado informou que a colheita da safra 2026/27 alcançava 52% até 1º de julho, abaixo dos 60% registrados no mesmo período do ano passado e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 55%.


O atraso nos trabalhos de campo contribui para as preocupações com a oferta de curto prazo e ajudou a impulsionar as cotações, levando o café arábica ao maior nível em cerca de cinco meses e meio e o robusta ao maior patamar em aproximadamente cinco meses.




Cacau



O contrato do cacau com vencimento em setembro encerrou a sessão desta segunda-feira em forte alta na Bolsa de Nova York. O ativo avançou 13,07%, fechando cotado a US$ 5.694 por tonelada.


Segundo análise da Barchart, o mercado foi impulsionado pelas preocupações com as condições climáticas na África Ocidental. O contrato negociado em Nova York atingiu o maior patamar em aproximadamente cinco meses e meio, enquanto o cacau negociado em Londres alcançou o nível mais elevado em seis meses.


As chuvas intensas registradas nas últimas semanas em Costa do Marfim e Gana, os dois maiores produtores mundiais da commodity, reforçaram as expectativas de redução da oferta na próxima safra. As precipitações têm provocado alagamentos, dificultado o transporte entre as fazendas e os portos e comprometido o escoamento da produção.


Além dos impactos logísticos, o excesso de umidade aumenta a incidência de doenças como a podridão parda e a podridão negra nos cacaueiros, fatores que podem reduzir a produtividade das lavouras e pressionar ainda mais a disponibilidade global da commodity.


Açúcar



O contrato futuro do açúcar com vencimento em outubro encerrou o pregão desta segunda-feira na Bolsa de Nova York cotado a 15,22 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 2,49%.


Segundo análise da Barchart, a valorização do real frente ao dólar deu sustentação às cotações. Com a moeda brasileira mais forte, as exportações de açúcar pelo Brasil tornam-se menos atrativas, reduzindo a pressão de venda por parte dos produtores.


Além do câmbio, o mercado segue atento às condições climáticas na Índia. Nas últimas duas semanas, os preços da commodity ganharam força, levando o contrato em Nova York ao maior nível em cerca de 1,75 mês e o açúcar negociado em Londres ao maior patamar em aproximadamente nove meses.


A preocupação é que o desempenho abaixo do esperado das chuvas de monção comprometa o desenvolvimento dos canaviais indianos, reduzindo a produção de açúcar do país, que é o segundo maior produtor mundial da commodity. As incertezas sobre a oferta global continuam dando suporte às cotações internacionais.


Algodão



O contrato futuro do algodão com vencimento em dezembro encerrou o pregão em alta de 1,53%, cotado a 78,30 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York.


Na avaliação do consultor independente Pery Passoti Pedro, a recuperação das condições climáticas nos Estados Unidos segue sendo o principal fator monitorado pelo mercado.


“O maior balizador atual dos preços em Nova York é a seca nos Estados Unidos. Nesta semana, foi registrada a oitava semana consecutiva de recuperação, com as áreas de algodão classificadas entre seca severa e excepcional caindo de 91% para apenas 26%. O mercado parece ter precificado que este será um ano de pouca seca e, por ora, a projeção de aproximadamente 20% de abandono das lavouras segue adequada.”


O consultor destaca ainda que outros fatores tiveram impacto limitado sobre as cotações.


“O petróleo apresentou pouca variação e os números das exportações de algodão dos Estados Unidos vieram tímidos, mas dentro da normalidade. O principal fator de sustentação do mercado foi a queda de cerca de 1% no índice do dólar).”


Segundo Pery Passoti Pedro, o enfraquecimento da moeda norte-americana frente às principais divisas internacionais torna as commodities mais competitivas no mercado global.


“Esse movimento deixa as commodities mais baratas para compradores de outros países, favorecendo as aquisições por parte das fiações, esmagadoras e refinarias ao redor do mundo.”


Suco de Laranja


O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com desvalorização de 2,54% em que o contrato fechou negociado a US1,66 por libra-peso.


Cacau entra em 2026 em busca de equilíbrio







COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.