“Nem tudo se fala”, diz Nathalia Dill sobre enigma em “Quem Ama Cuida”
No campo das artes, encarnar um personagem que transita entre o real e o imaginário é um terreno fértil e, muitas vezes, desafiador.
Na pele da enigmática Francesa, de “Quem Ama Cuida”, Nathalia Dill, 40, tem a missão de dar vida a uma figura que, embora seja uma ausência completa para o restante do elenco, se faz presença absoluta na vida de Otoniel, interpretado por Tony Ramos.
Para a atriz, o grande segredo para o público comprar essa dinâmica está na construção de uma relação palpável. Em entrevista à CNN Brasil, ela conta como tem sido a construção dessa química e quais os principais desafios.
“É um trabalho muito delicado, porque a relação entre eles precisa ser completamente verdadeira para que o público embarque nessa jornada. A Francesca existe de forma muito concreta para o Otoniel, então eu não podia interpretá-la como uma figura etérea ou distante, pelo contrário”, diz.
“O desafio é justamente sustentar essa verdade mesmo sabendo que, para os demais personagens, ela não ocupa esse mesmo lugar, ela é um mistério que precisa ser desvendando tanto na novela quanto para o público”, acrescenta.
Essa sintonia fina ganha ainda mais força pela parceria de peso nos bastidores. Dividir a tela com o ator permeando uma frequência tão única exige entrega, mas Nathalia garante que sobra muito espaço para a descontração entre um mistério e outro.
“O Tony é um parceiro extraordinário. Ele tem uma escuta muito generosa e uma entrega que torna qualquer cena mais rica. Existe, sim, uma sintonia muito especial entre os personagens, mas também entre nós como atores. Apesar da atmosfera de mistério da trama, o set é um ambiente muito leve. O Tony é um cavalheiro”, confessa.

Além do entrosamento com a equipe, o papel impõe desafios técnicos que mexem com o próprio instinto de atuação. Afinal, interagir em um cenário onde os outros atores precisam ignorar a sua presença exige uma linguagem corporal milimetricamente calculada:
“Muitas vezes, a tendência natural do ator é buscar o olhar do colega ou reagir ao que acontece ao redor. Nesse caso, foi necessário desenvolver uma consciência corporal muito específica, entendendo quando ocupar o espaço e quando quase desaparecer dentro dele. Como atriz, interpretar a Francesca é algo muito interessante.”
Com uma carreira sólida repleta de mocinhas marcantes e vilãs densas, a atriz encontra na atual personagem um ponto de virada artística bem específico, que a desafiou de uma maneira totalmente inédita se comparada a qualquer trabalho anterior:
“Talvez a confiança no não dito. A Francesca por enquanto não trabalha com explicações. Ela é uma personagem que não se revela facilmente, e isso exige uma construção muito específica. Ela existe nessa área cinza da dúvida. Foi um convite para confiar que nem tudo precisa ser verbalizado para chegar ao público. E, como atriz, esse é um exercício muito bonito”, conclui.



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