Custo de capital pesa sobre competitividade no Brasil, afirma especialista

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Custo de capital pesa sobre competitividade no Brasil, afirma especialista

O Brasil caiu sete posições e passou a ocupar o 65º lugar no Ranking Mundial de Competitividade, entre um total de 70 economias avaliadas, registrando o pior patamar em anos recentes. O resultado foi analisado por Carla Beni, do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP) e professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas), em entrevista à CNN.


Segundo Beni, o ranking compara todos os países em relação ao primeiro colocado, que neste ano foi Singapura. “Nós tivemos pontos positivos, mas o ponto negativo pesou mais do que as melhoras”, afirmou. Para ela, o principal fator negativo foi o custo de capital.




“O ponto pior tem a ver com o custo do capital, com a taxa de juros que dificulta investimentos e inclusive deixou o Brasil num patamar mais baixo em relação até às próprias empresas, porque as empresas estão investindo menos fruto do problema da elevada nossa taxa de juros”, explicou.


Fatores estruturais e taxa Selic


Além do custo de capital, Beni destacou outros aspectos estruturais que contribuem negativamente para o desempenho do Brasil no ranking, como a baixa educação financeira e a pouca diversidade linguística.


No que diz respeito à taxa Selic, ela apontou dois fatores que pressionam as projeções do mercado financeiro: a instabilidade do cenário externo e o avanço do processo inflacionário interno.


“Temos uma instabilidade muito grande no cenário externo”, disse, citando declarações de Trump sobre possíveis ataques ao Irã caso o acordo em curso não seja cumprido. Internamente, Beni ressaltou que o Brasil possui a maior taxa real de juros do mundo.


“Se você pegar a Selic e descontar a inflação, nós temos mais de 9% de taxa real de juros. Este é o ponto central que vai inviabilizando as empresas e as famílias, por isso que a gente está com esse grau de inadimplência no país todo”, afirmou.


Boletim Focus e perspectivas para os juros


Ao comentar as projeções do mercado financeiro, Beni comparou o Boletim Focus com um GPS, por sua característica de constante revisão de rota. Ela destacou que, segundo estudo da FGV, a margem de erro do boletim chegou a 95% nos últimos quatro anos.


















A expectativa do mercado, segundo ela, é que o Banco Central pare de reduzir a taxa de juros ou mantenha cortes na magnitude de 0,25 ponto percentual. “Você imagina com o grau de endividamento e de inadimplência que temos hoje, continuar com uma taxa de juros a dois dígitos’. Nós estamos com dois dígitos de taxa Selic desde 2022″, observou.


Beni também ressaltou que a Selic é eficiente para combater apenas um dos quatro tipos de inflação — a de demanda —, enquanto as causas por custo, inércia e expectativa permanecem sem solução pelo mesmo instrumento.


Pontos positivos do Brasil no ranking


Apesar do resultado desfavorável, Beni destacou aspectos positivos identificados no levantamento. O investimento estrangeiro direto foi apontado como um ponto de destaque: “O Brasil tem sido o segundo país que mais recebe investimentos nos últimos anos”, afirmou.


Outros pontos bem avaliados foram o desempenho em energia renovável, a melhora na atividade empreendedora inicial — com redução na taxa de fechamento de empresas nos primeiros três anos — e os subsídios governamentais, área em que o Brasil ocupa a quinta posição no ranking.


“O motor de investimento é o setor público em qualquer lugar do mundo”, concluiu Beni.


Estados do Sul e Sudeste lideram ranking de competitividade




Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.




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